Custo efetivo total: como calcular o preço real de um empréstimo ou financiamento
Da redação · 4 min de leitura

Duas propostas de empréstimo anunciam a mesma taxa de juro, 2% ao mês. Na hora de assinar, uma delas cobra tarifa de cadastro, seguro prestamista e IOF financiados junto com o valor principal. A parcela sobe, o total pago sobe, e a taxa anunciada continua a mesma. É para esse tipo de situação que existe o Custo Efetivo Total, o CET.
O que é o custo efetivo total (CET)
O CET é uma taxa que expressa, em percentual ao mês e ao ano, o custo completo de uma operação de crédito. Ele inclui os juros e também todos os encargos e despesas cobrados do cliente. As instituições financeiras são obrigadas, por norma do Conselho Monetário Nacional, a informar o CET antes da contratação de operações de crédito com pessoas físicas e com micro e pequenas empresas.
Os itens que costumam entrar no CET além dos juros são:
- IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras;
- tarifa de cadastro, cobrada no início do relacionamento;
- seguro prestamista, que quita a dívida em caso de morte ou invalidez;
- tarifas de avaliação de bem e de registro de contrato, comuns em financiamentos de veículos e imóveis;
- outras despesas previstas em contrato e pagas pelo cliente.
A contratação de seguro não pode ser imposta como condição para liberar o crédito. Se ele aparecer no contrato, o consumidor tem o direito de questionar e recusar.
Onde encontrar o CET no contrato
A informação deve aparecer em destaque na proposta e no contrato, geralmente em uma planilha de cálculo do CET que discrimina cada componente e seu valor. Nas simulações feitas em aplicativos e sites de bancos, o CET costuma aparecer ao lado da taxa de juro, em percentual mensal e anual.
Se a proposta mostrar apenas a taxa de juro, peça a planilha do CET antes de assinar. Sem ela, não dá para comparar ofertas de forma justa.
Como calcular a parcela e perceber os custos embutidos
Na maior parte dos empréstimos pessoais e financiamentos com parcelas fixas, a prestação segue a tabela Price. A fórmula é:
Parcela = Valor financiado × i ÷ [1 − (1 + i)^−n]
Em que i é a taxa mensal em forma decimal e n é o número de parcelas.
Veja um exemplo. Um empréstimo de R$ 10.000, a 2% ao mês, em 24 parcelas:
- Taxa decimal: 0,02.
- (1,02) elevado a −24 é aproximadamente 0,6217.
- 1 − 0,6217 = 0,3783.
- 10.000 × 0,02 ÷ 0,3783 ≈ R$ 528,71 por mês.
- Total pago: 24 × R$ 528,71 ≈ R$ 12.689.
Agora, suponha que a instituição some R$ 600 em tarifas, seguro e IOF ao valor financiado. O cliente continua recebendo R$ 10.000, mas passa a dever R$ 10.600, à mesma taxa de 2%. A parcela sobe para cerca de R$ 560,43.
Qual é o custo real? Basta encontrar a taxa que faz 24 parcelas de R$ 560,43 equivalerem aos R$ 10.000 efetivamente recebidos. Essa taxa fica em torno de 2,52% ao mês, ou quase 35% ao ano, contra cerca de 26,8% ao ano da taxa nominal. A diferença é exatamente o que o CET revela.
Em uma planilha eletrônica, a conta é simples. A função PGTO calcula a parcela (taxa; número de parcelas; valor) e a função TAXA faz o caminho inverso, encontrando a taxa efetiva a partir da parcela e do valor recebido.
Como comparar propostas
Ao receber mais de uma oferta, siga estes passos:
- Compare sempre o CET anual, não a taxa de juro mensal.
- Verifique se o prazo é o mesmo. Prazos longos reduzem a parcela, mas aumentam o total pago.
- Some o total a ser pago ao fim do contrato.
- Confira se o valor líquido liberado é o que você precisa, já descontados eventuais encargos.
- Identifique itens opcionais, como seguros, e peça a simulação sem eles.
Um CET um pouco menor em um prazo muito mais longo pode sair mais caro no total. O ideal é encontrar a combinação de parcela que cabe no orçamento com o menor custo total possível.
Dúvidas mais frequentes
O CET é sempre maior que a taxa de juro anunciada?
Quase sempre, porque soma tarifas, seguros e tributos aos juros. Só será igual quando não houver nenhum encargo além dos juros, situação rara.
A instituição pode se recusar a informar o CET?
Não. A informação é obrigatória antes da contratação para pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Se não for apresentada, o consumidor pode reclamar à instituição e ao Banco Central.
Quitar o empréstimo antes do prazo reduz o custo?
Sim. Na quitação ou amortização antecipada, o consumidor tem direito à redução proporcional dos juros. Vale pedir o cálculo do saldo devedor antes de pagar.
■