Economy Brasil
Edição 2026

Custo efetivo total: como calcular o preço real de um empréstimo ou financiamento

Da redação · 4 min de leitura

Notebook mostrando a palavra tarefa enquanto alguém digita

Duas propostas de empréstimo anunciam a mesma taxa de juro, 2% ao mês. Na hora de assinar, uma delas cobra tarifa de cadastro, seguro prestamista e IOF financiados junto com o valor principal. A parcela sobe, o total pago sobe, e a taxa anunciada continua a mesma. É para esse tipo de situação que existe o Custo Efetivo Total, o CET.

O que é o custo efetivo total (CET)

O CET é uma taxa que expressa, em percentual ao mês e ao ano, o custo completo de uma operação de crédito. Ele inclui os juros e também todos os encargos e despesas cobrados do cliente. As instituições financeiras são obrigadas, por norma do Conselho Monetário Nacional, a informar o CET antes da contratação de operações de crédito com pessoas físicas e com micro e pequenas empresas.

Os itens que costumam entrar no CET além dos juros são:

A contratação de seguro não pode ser imposta como condição para liberar o crédito. Se ele aparecer no contrato, o consumidor tem o direito de questionar e recusar.

Onde encontrar o CET no contrato

A informação deve aparecer em destaque na proposta e no contrato, geralmente em uma planilha de cálculo do CET que discrimina cada componente e seu valor. Nas simulações feitas em aplicativos e sites de bancos, o CET costuma aparecer ao lado da taxa de juro, em percentual mensal e anual.

Se a proposta mostrar apenas a taxa de juro, peça a planilha do CET antes de assinar. Sem ela, não dá para comparar ofertas de forma justa.

Como calcular a parcela e perceber os custos embutidos

Na maior parte dos empréstimos pessoais e financiamentos com parcelas fixas, a prestação segue a tabela Price. A fórmula é:

Parcela = Valor financiado × i ÷ [1 − (1 + i)^−n]

Em que i é a taxa mensal em forma decimal e n é o número de parcelas.

Veja um exemplo. Um empréstimo de R$ 10.000, a 2% ao mês, em 24 parcelas:

  1. Taxa decimal: 0,02.
  2. (1,02) elevado a −24 é aproximadamente 0,6217.
  3. 1 − 0,6217 = 0,3783.
  4. 10.000 × 0,02 ÷ 0,3783 ≈ R$ 528,71 por mês.
  5. Total pago: 24 × R$ 528,71 ≈ R$ 12.689.

Agora, suponha que a instituição some R$ 600 em tarifas, seguro e IOF ao valor financiado. O cliente continua recebendo R$ 10.000, mas passa a dever R$ 10.600, à mesma taxa de 2%. A parcela sobe para cerca de R$ 560,43.

Qual é o custo real? Basta encontrar a taxa que faz 24 parcelas de R$ 560,43 equivalerem aos R$ 10.000 efetivamente recebidos. Essa taxa fica em torno de 2,52% ao mês, ou quase 35% ao ano, contra cerca de 26,8% ao ano da taxa nominal. A diferença é exatamente o que o CET revela.

Em uma planilha eletrônica, a conta é simples. A função PGTO calcula a parcela (taxa; número de parcelas; valor) e a função TAXA faz o caminho inverso, encontrando a taxa efetiva a partir da parcela e do valor recebido.

Como comparar propostas

Ao receber mais de uma oferta, siga estes passos:

  1. Compare sempre o CET anual, não a taxa de juro mensal.
  2. Verifique se o prazo é o mesmo. Prazos longos reduzem a parcela, mas aumentam o total pago.
  3. Some o total a ser pago ao fim do contrato.
  4. Confira se o valor líquido liberado é o que você precisa, já descontados eventuais encargos.
  5. Identifique itens opcionais, como seguros, e peça a simulação sem eles.

Um CET um pouco menor em um prazo muito mais longo pode sair mais caro no total. O ideal é encontrar a combinação de parcela que cabe no orçamento com o menor custo total possível.

Dúvidas mais frequentes

O CET é sempre maior que a taxa de juro anunciada?

Quase sempre, porque soma tarifas, seguros e tributos aos juros. Só será igual quando não houver nenhum encargo além dos juros, situação rara.

A instituição pode se recusar a informar o CET?

Não. A informação é obrigatória antes da contratação para pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Se não for apresentada, o consumidor pode reclamar à instituição e ao Banco Central.

Quitar o empréstimo antes do prazo reduz o custo?

Sim. Na quitação ou amortização antecipada, o consumidor tem direito à redução proporcional dos juros. Vale pedir o cálculo do saldo devedor antes de pagar.

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